O Risco que Ninguém Fala: Quando os Problemas Reais Ficam Invisíveis
Prymaz2 min de leitura
No planejamento do projeto, a gente senta, lista todos os riscos, calcula probabilidade, faz uma matriz linda, apresenta pro cliente. "Estamos cobertos", a gente pensa.
Aí chega terça e explode algo que não estava em lugar nenhum da matriz.
Não é porque a gente não é bom em planejamento. É porque a gente está procurando pelos riscos errados.
A gente identifica bem os riscos que já vivemos antes: falta de recurso, atraso no escopo, integração complexa, tecnologia nova. Esses são fáceis de ver. Mas os riscos que mais explodem nos projetos brasileiros são outros.
O risco invisível número 1: O stakeholder que desapareceu. A gente planejou com o cliente, tudo certo, mas aí o projeto começa e o responsável do lado dele está em 47 outras reuniões. Ninguém aprova nada, ninguém valida. Tudo fica travado esperando uma decisão que nunca vem.
Número 2: A suposição que ninguém questionou. No kickoff, alguém falou "ah, isso que você vai fazer é parecido com o projeto do João do ano passado", e todo mundo achou que era assim mesmo. Só que o projeto do João era diferente em três pontos críticos. Quando percebe, já está tudo construído errado.
Número 3: O conhecimento que está só na cabeça de uma pessoa. Aquele cara que sabe como funciona a integração com o antigo sistema, mas ninguém documentou, ninguém mais sabe. Aí ele fica de férias ou sai da empresa e pronto — projeto parado.
Número 4: O "sim" que significa "não". O stakeholder concorda com tudo nas reuniões, mas na verdade ele quer outra coisa. Só que é mais fácil concordar do que discordar. Três meses depois, quando você mostra o resultado, ele diz "não, não era isso que eu queria".
Número 5: A mudança invisível. A empresa do cliente muda de estratégia, o mercado muda, as prioridades mudam. Mas o projeto segue como se nada tivesse acontecido, porque ninguém falou pra você que mudou.